|
|
71. O Sr. Shumba e as demais pessoas foram levados para a Esquadra da Polícia de Saint Mary. Este ficou aí detido sem culpa formal, tendo-lhe sido negado o acesso a um advogado de defesa. Negaram-lhe, igualmente, comida e água. O autor afirma que, no dia posterior à sua detenção, foi retirado da cela, e foi-lhe colocado um capucho sobre a sua cabeça. De seguida foi levado numa viatura para um local desconhecido e conduzido para o que parecia ser um túnel de acesso a um quarto subterrâneo. Retiraram o capucho e depois despiram-no, ficando completamente nu. As mãos e os pés foram amarrados em posição de feto e seguidamente foi introduzida uma tábua entre as pernas e os braços. Enquanto permanecia nesta posição, o queixoso foi interrogado e ameaçado de mortepor em 15 (quinze) interrogadores. O queixoso alegou igualmente ter sido electrocutado de forma intermitente durante 8 horas, tendo sido aplicada uma substância química ao seu corpo. Perdeu o controlo das funções fisiológicas, vomitou sangue, tendo sido forçado a beber o que vomitara. O queixoso apresentou a cópia autenticada de um relatório médico descrevendo os ferimentos presentes no seu corpo. Após ter sido interrogado, quando eram cerca das 19h do mesmo dia, o queixoso foi desamarrado e obrigado a redigir várias declarações, implicando a si mesmo e a vários membros seniores do MDC por prática de actividades subversivas. Por volta das 19h30, foi levado para a Esquadra de Harare e fechado numa cela. No terceiro dia da sua detenção, os seus advogados, que haviam obtido uma ordem do Tribunal Supremo, tiveram acesso ao queixoso no tribunal. Este foi posteriormente acusado ao abrigo da 5ª Secção da Lei da Ordem e Segurança Públicas que trata da organização, planeamento ou conspiração para derrubar o Governo por meios não constitucionais. O autor viria a fugir do Zimbabué por recear que a sua vida estivesse em perigo.
|