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, realizado por um pintor da oficina do Mestre do Livro de Oração de Dresden, seguindo os ensinamentos deste no livro de horas que dá nome a este pintor de nome convencional (Dresden, Sächsische Landesbibliothek, Ms. A 311), a representação dos meses ocupa todo o fólio. Concretamente a de Novembro, apresenta múltiplas perspectivas unidas de forma hábil: um ponto de vista muito elevado por parte do espectador e personagens captadas quase à altura deste, obedecendo a uma justaposição satisfatória de planos. O tema escolhido para este mês é a tradicional engorda dos animais de granja: uma ampla e alta paisagem, em cujo fundo aprecia-se uma edificação nobiliária ou pertencente a um grande burguês, separada por cercas de vime trançado, das diferentes porções da sua possessão, onde aparece um camponês conduzindo uma manada para o pasto; mais abaixo, outro com um burguês que realiza uma transacção económica sobre os porcos que vai adquirir; finalmente, um porqueiro conduz outra manada ao mesmo tempo que procura fazer o mesmo com dois bois que tem à sua frente. O espaço central da pintura ocupa um bosque -parcialmente coberto pelo texto do calendário- pertencente aos domínios do senhor, que pode servir, especialmente, para o fornecimento de madeira, para o alimento das manadas ou, também, como lugar de caça. Dentro duma arte elitista, onde se trata de marcar especialmente as diferenças de estratos sociais, os camponeses aparecem caracterizados não apenas pelas suas vestimentas, mas também pelas suas feições rudes, perante as mais finais do burguês que realiza a aquisição da manada.
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