|
|
E eu considero este um ponto muito importante porque, naturalmente, as empresas podem ser tocadas como livres cooperativas. E, novamente, sabemos de exemplos disto e de diferentes espécies de projetos sociais que lidam com dinheiro, que produzem coisas e funcionam como livres cooperativas, com as pessoas negociando, concordando e se dividindo, caso não concordem mais, e encontrando caminhos de como fazê-lo de maneira igualitária e justa. E também temos exemplos desse chamado setor terciário, onde grupos lidam com dinheiro e capital públicos, que lhes é passado para alcançarem resultados especiais, mas os quais são também livres, quanto aos caminhos que escolham. Acho que esses exemplos existem e, está claro, é algo que mudaria as estruturas das empresas de forma radical, porque, se o conceito for aplicado, então fica evidente que temos de fazer muito em cada organização econômica concentrada. Isto descarta a possibilidade de que haja pessoas que possuam um conhecimento tão especial de que nada é possível fazer sem elas, por exemplo. Portanto, também é preciso ficar implícito que se inclui processos de distribuição de conhecimento e habilidades. Também exige-se um ambiente onde seja possível, para as pessoas, se desligarem e sair, sim, por existirem outras possibilidades para elas - o que significa que elas mantenham sua forma material de existência garantida, não dependam de seu emprego, lá. Isto significa que os investimentos públicos são afetados de maneira que não existe apenas uma estrutura onde eu possa trabalhar graças aos meus conhecimentos profissionais, eu posso escolhê-la e ela me garante que eu posso tirar minha parte justa do todo para mim. Isso, é claro, é uma questão radical, porém absolutamente necessária. E não vejo porque seria impossível para as empresas se dividirem se houver desacordo sobre seu curso futuro. Já vemos isso hoje: grandes capitais se dividindo em pequenos capitais, recombinando o todo. Isso acontece e achamos tudo muito natural e, mesmo assim, não podemos imaginar que as pessoas que trabalham lá, que cooperam lá o façam elas próprias.
|