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A questão principal, com referência à implementação de livre cooperação no mundo de hoje, claro, é a questão da propriedade. Acho que é preciso sublinhar a idéia de que toda a propriedade, ou capital social, baseia-se no trabalho coletivo, claro. E não somente no trabalho de quem vive hoje, é algo que também capitaliza as atividades, o trabalho, o pensamento de pessoas do passado, de um grande número de pessoas e suas vidas. Portanto, este tipo de capital, com cuja forma nos preocupamos no sentido, digamos, conhecimento técnico ou social, no sentido de capital industrial, de capital intelectual, o que é importante hoje em dia, é algo que não pode pertencer a um pequeno número de pessoas somente porque são os CEO's da empresa - isso é apenas ridículo. Por outro lado, a propriedade, o acesso ao capital, é algo necessário ao povo. Não é nada que se possa ter vergonha de reclamar uma parte da propriedade, no mundo, porque carecemos do trabalho dos outros, precisamos de acesso ao capital para fazer coisas, para sobreviver. Portanto, não é concebível dizer que não existem formas de propriedade de modo algum. Não creio que seja concebível dizer que deveríamos ter uma sociedade ou comunidade onde todos façam o que querem e peguem o que quiserem. Portanto, são necessárias regras para acessar a propriedade, e acho que isso inclui a necessidade de transferir a propriedade, de distribuir a propriedade de maneira mais igual do que se faz hoje. E é preciso ficar claro que isto é processo que exige passos necessários. Porque temos de reconhecer que a propriedade nem sempre é algo que se possa cortar em fatias e distribuir. Portanto, este é um processo de reformatar a propriedade numa sociedade, de redistribuí-la.
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